Saturday, May 16, 2026

Frank Stack and John A. Lent


Frank Stack 


John A. Lent

Frank Stack passed away last April 12 and John A. Lent passed away a few hours ago. I always loved Frank Stack's art style. I remember him mainly from Harvey Pekar's Our Cancer Year

As for John Lent, suffice to say that I subscribed to the International Journal of Comic Art since Vol. 1, #1: Spring/Summer of 1999. I even submited a couple of things to the IJOCA...

Unfortunately, this blog is becoming an obituary page. As I use to say: it's my 20th century that is rapidly disappearing.

Wednesday, April 1, 2026

Yoshiharu Tsuge

 


Today is April's Fools' Day. I wish this was a lie, but it is not: the greatest comics artist of all time, the GOAT, died last March 3.

Sunday, March 1, 2026

The Writer

 


Ana Hatherly, The Writer, 2025 [1975]

 
It was with great surprise that I received an email from Tim Gaze anouncing his North American edition of Ana Hatherly's The Writer, whose cover you can see above. Great news, of course... I wrote about this book on this blog October 7, 2008. Ages ago, or so it seems to me...

Saturday, February 21, 2026

Mr. Burroughs 2026

 


David Soares (e), Pedro Nora (d) Mr. Burroughs, 2026

Nova edição de uma obra fundamental. Ver aqui a capa original.

Sunday, November 2, 2025

Estância Do Sino Coberto de Diniz Conefrey

 



"Porque tudo se move, numa entoação / A cerzir um ritmo vascular."

É esta a epígrafe com que Diniz Conefrey inicia o seu livro Estância Do Sino Coberto. Aviso à navegação que tantas vezes lemos apressadamente antes de virar as páginas para começar aquilo que julgamos ser a leitura da obra. Digo "julgamos" porque, e falo por experiência própria, não pretendo apontar o dedo a ninguém, num livro de banda desenhada lemos os textos, absorvemos distraidamente as imagens, e seguimos em frente num ritmo infernal que nos faz chegar rapidamente ao fim. Este síndroma da leitura flash, está, provavelmente, na origem da proverbial logofobia dos leitores de banda desenhada. Textos didascálicos longos desaceleram a leitura e poucas coisas há que irritem mais um típico leitor de banda desenhada. Uma legenda, se for extensa, perturba o tempo de leitura, e, ainda por cima, retira o espaço à imagem sabendo nós que os leitores de banda desenhada são imagófilos na proporção inversa em que são logofóbicos. Acrescento que este facto não impede que sejam poucas as imagens a reter a atenção durante mais do que breves instantes no acto da leitura. Aprecia-se o estilo do autor, não esta ou aquela imagem em particular porque o ritmo acelerado a isso obriga. Façamos então uma leitura tartaruga de alguns aspectos de Estância Do Sino Coberto. Não enquanto enredo, nem enquanto tratamento das personagens e demais parafernália da narratologia literária, mas enquanto textos e imagens concretas e concretos. Tudo se move, imagens e textos a cerzir um ritmo vascular, que é o ritmo da vida... Mas estaquemos então... mesmo incorrendo no alto risco de paragem cardíaca rítmica que isso implica...
Uma grelha quase invisível, onde se incrusta uma forma, que parece representar uma tomografia computadorizada ao cérebro, divide a primeira página. Eflúvios, primeiros sinais do fogo destruidor, pássaros mensageiros e flores de lótus, símbolo de pureza e renascimento, a desrespeitar, libertar-se da grelha, completam a imagem.  Seguem-se vinhetas em que a biblioteca de Nalanda é consumida pelas chamas. Nenhum humano se avista porque todos foram chacinados. Assistimos à reacção dos animais que vivem na floresta, talvez já habitados pela alma dos monges mortos. As últimas imagens desta sequência inicial mostram-nos ossadas de vacas sagradas, prova de que houve violência contra os símbolos da não violência, para acabar numa composição abstracta, a primeira de muitas, em que ruínas se reflectem na água: o corpóreo e o fluido, a beleza que nasce da destruição e, voltando atrás, à primeira página, a dizer-nos que, como acreditava o protagonista, Xuanzang, o mundo é uma criação do cérebro, a verdadeira biblioteca e, esse, não foi destruído. A prova temo-la logo na vinheta abaixo onde o saber emanado de Nalanda se mostra vivo e actual. 
Em montagem paralela, Xuanzang comparte protagonismo com Nora. A partir da página 33 Nora relata, por entre padrões de tecidos e grandes planos da sua face, a sua circunstância. Fá-lo numa sequência de quatro páginas abstractas cuja origem Diniz Conefrey não esconde. Trata-se de um motivo visual que lhe é caro: em Meteorologias são refegos geológicos e outros turbilhões, aqui são as dobras de panejamentos que se metamorfoseiam. Na minha leitura não é indiferente que a sequência começe e termine com tecidos translúcidos, os quais tanto servem para mostrar como para esconder, tal como sucede com a abstracção visual. Em todo o caso, são composições enleantes, em cores sobretudo neutras. A própria palavra "abstracção" pode ter o sentido de abstrairmo-nos do mundo. Fazer vaguear a nossa mente por territórios outros e é curiosa a vinheta em que são os gansos a chamar Nora à terra. 
Há mais sequências em que a abstracção é usada como aquela em que o passageiro europeu dialoga com Nora no comboio, mas, agora, as formas são menos enleantes, mais estáveis e com linhas negras que as estruturam. As cores modificam, metamorfoseiam, o negro quando, por assim dizer, lhe passam pela frente. Efeito que surge pela primeira vez e se repete, em tons marmoreados escuros, antes da sequência final. Sequência essa quase só visual e a terminar onde o livro começou, no arrancar do véu de Maia e no renascimento anunciado pela flor de lótus. Metempsicose de Nora em corça? Na liberdade que Diniz Conefrey nos oferece como leitores, é uma interpretação possível...

Saturday, September 20, 2025

Eduardo Batarda (1943 - 2025) Artista de Banda Desenhada

Eduardo Batarda em 2018

Morreu Eduardo Batarda, pintor que chegou à banda desenhada via Arte Pop britânica, mas que, ao contrário dos artistas pop, foi literal em vez de ser Neo Dada, e muito haveria para dizer sobre isto, mas guardo as reflexões para um texto que vou escrever em breve. Aí está o livro de 1973, O Peregrino Blindado the blind penguin As Aventuras do Dr. Bronstein - Proezas do Unfriendly Kid - E Outras para provar o que digo.

Saturday, July 12, 2025

Morina

 


Taguan Hardjo Morina #1 (1961)

Nos Estados Unidos da America costuma-se dizer que foi Richard Kyle quem criou a expressão "graphic novel" em 1964. Quando falamos de primeiro isto ou aquilo sabemos que estamos em terreno escorregadio. Tudo depende de como definimos aquilo que pretendemos nomear. Eu, por exemplo, já chamei "romance gráfico" (segundo a minha opinião, uma tradução mais correcta do que a expressão "novela gráfica"), ou próximo disso, a dois livros do século XVI português. Ainda assim, e falando só da expressão, na imagem acima pode ler-se, três anos antes de Kyle, a expressão "Nopel Bergambar", o que, em indonésio, significa precisamente o mesmo que o "graphic novel" do inglês. 

Mas escrevo isto apenas como introdução porque o mais interessante é o pano de fundo desta nopel bergambar: a guerra entre o reino de Aceh e os portugueses na altura da colonização de Malaca. O que se pode ver na capa é significativo desse clima de guerra: uma turba em movimento, dois galeões, um canhão, uma alabarda e um arcabuz. Prova de que os europeus estavam muito melhor equipados para fazer estragos do que os nativos. 

Nunca li Morina e, consequentemente, não sei do que se trata. Desconfio de uma história do tipo Romeu e Julieta, mas, francamente não faço ideia. Fica apenas esta nota breve sobre um dado obscuro da história da banda desenhada, pelo menos na Europa, vagamente relacionado com Portugal.

Monday, May 26, 2025

Peter David (1956-2025)


Peter David in October 14, 2011

If (a couple of) people known me in America is mainly because I always was a fierce opponent of the Super-Hero genre. I view it as simplistic, manichaean, neofascist, misogynous, escapist, etc... Nothing good, of course, not to mention a strong proponent of American excepcionalism. Even so, I remember reading, and enjoying Peter David's column "But I Digress" in The Comics Buyer's Guide. Peter David definitely does not belong on this blog, but I'm getting old and decided to honor his memory just the same.

Tuesday, April 15, 2025

O Programa Segue Dentro De Momentos...

David Soares (e) e Pedro Nora (d), Mr. Burroughs, Novembro de 2000

Os que são da minha idade, ou próximo disso, lembram-se, com certeza, de um intertítulo quando, algo de impensável, com os meios técnicos de hoje, alguma coisa corria mal nas transmissões do canal de televisão único, a RTP: "Pedimos Desculpa Por Esta Interrupção / O Programa Segue Dentro de Momentos".  Com a frase no subsconsciente, ou mesmo no consciente, já não me lembro, terminei um texto que se supunha ser sobre Mr. Burroughs, mas que, na realidade, foi sobre o desenhador, Pedro Nora, publicado no catálogo do Salão Lisboa 2000 com a frase: "O programa segue dentro de momentos, certamente..." Também começava o texto referido com o wishful thinking de que a margem se ia deslocar para o centro, centro esse que, aliás, punha em dúvida que existisse em Portugal...

Pois bem, o programa não seguiu coisa nenhuma e a margem continua onde sempre esteve.

Bastaram as chegadas de dois presidentes da câmara do PSD em Lisboa e Porto para que a periclitante situação de bonança, porque talento havia, e muito, se esfumasse num ápice. Refiro-me ao engenheiro, note-se, Carmona Rodrigues a Sul e ao economista, note-se, Rui Rio a Norte, ambos no fatídico ano de 2005. 

Desses tempos guardo ainda duas pet peeves contra outras tantas figuras conotadas com o PSD: Vasco Graça Moura e José Pedro Vasconcelos. Sendo de direita e subscritores da ideologia neoliberal, eram ambos contra o que chamavam a subsidiodepêndencia. Não tenho maneira de saber ao certo, mas sempre me pareceu que Vasconcelos tinha uma certa aversão ao que se convencionou chamar, tanto no Brasil como em Portugal, Cinema Novo. Não sei se pelas obras em si ou se pelas tricas lisboetas que, num meio tão pequeno, é inevitável que existam. Para Vasconcelos o Estado não tinha nada que se imiscuir em assuntos de cultura e, muito menos, favorecer estes em detrimento daqueles, etc... A crítica está longe de ser descabida, mas coloca um problema: como diria Lénine, então, que fazer?...

A resposta de Vasconcelos veio-lhe do outro lado do Atlântico, de Frank Capra: Hollywood em vez de cinema experimental, comercialismo de qualidade, achava ele, em vez de elitismo...

Se acho que a atribuição de subsídios tem realmente os seus problemas, mas é a única maneira de uma arte digna desse nome existir e, sem ela, entrámos na barbárie em que estamos, as ideias defendidas por Graça Moura ainda me parecem mais estapafúrdias: a Educação vai criar públicos preparados para consumir a qualidade e rejeitar o que é medíocre. Vê-se! Foi assim que o cinema em sala se infantilizou e morreu a morte de Benjamin Button. Ainda por cima, foi a banda desenhada que o matou!... Digo...

Tuesday, January 28, 2025

 

Héctor Germán Oesterheld (e), Hugo Pratt (d), Andrés Martin (l), "lobo Conrad", Hora Cero Suplemento Semanal #22 (29 de Janeiro de 1958)

João Ramalho Santos escreveu no último Jornal de Letras uma crítica a três livros de banda desenhada entre os quais se encontra Jesuit Joe e outras histórias. Tudo muito bem, mas foi pena ter-se esquecido de que Jesuit Joe foi muito "inspirado" em "lobo Conrad". Mesmo além-túmulo, Ugo Prat continua a beneficiar da ignorância de toda a gente, fruto de que todo este material continua à espera de ser reeditado. Ou não? Acho que, em Itália, e em edição de grande tiragem, se publicou Tutto Pratt. "lupo Conrad" está no nº 18, aposto que colorido, não sei se com as palavras intactas e, portanto, completamente adulterado.

Friday, October 11, 2024

Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa



Raul Correia (texto) e Eduardo Teixeira Coelho (desenhos), "A Lei Da Selva", O Mosquito #104, 21 de Fevereiro de 1948

Leram bem! Repito: Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa! Sim, porque a nossa Assembleia da República agora aprova redundâncias. A não ser que isto sirva para distinguir, num espírito de ecumenísmo notável, o Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa de um putativo Dia Nacional da Banda Desenhada Espanhola ou algo do género...

Seja como for, ele aí está:


E o que é que aconteceu de tão importante para a banda desenhada portuguesa no dia 18 de Outubro para assim, e para todo o sempre, comemorarmos tal data?
Aparentemente, absolutamente nada! Ou seja, a Academia Nacional de Belas Artes, vetusta instituição que, durante os seis anos em que frequentei o mesmo edifício que a dita, quase que foi apenas uma porta pomposa ao fundo do corredor (não vem ao caso, mas o "quase" vai para um livrito que lá fui buscar sobre os azulejos da Quinta da Bacalhoa), a dita Academia, dizia, reconheceu a banda desenhada como arte legítima. Ou seja, e repito, no dia 18 de Outubro, não aconteceu absolutamente nada de relevante para a banda desenhada portuguesa. 

Por mim, escolhia o dia 21 de Fevereiro, dia da publicação, na revista O Mosquito, da primeira prancha de "A Lei da Selva" por Raul Correia, Eduardo Teixeira Coelho e, calculo, José Ruy na cor.

Friday, September 13, 2024

Thursday, September 12, 2024

New York Comics & Picture-Story Symposium - Coda

 


My participation in the New York Comics & Picture-Story Symposium can be watched, here.

Two corrections: Martin Vaughn-James is not Canadian. The Cage was published in Canada, but he was from the UK; Charlotte Salomon's book is Life! Or Theater?.

Monday, July 15, 2024

The Usual Intellectual Dishonesty - Coda #2

 

Omaggio a.... Hector German Oesterheld [homage to Héctor Germán Oesterheld]


Luca mentioned the book Donde Esta Oesterheld? What you can see above is another homage to Oesterheld made in Italy. A portfolio which is, unfortunately, not dated. The subtitle says "the heart of Argentine comics" which is a poetical way of putting things, but is very true. Inside there's a good text by Giulio C. Cuccolini.

 

Friday, July 12, 2024

The Usual Intellectual Dishonesty - Coda



As I told Luca in comments I have never seen Sgt. Kirk magazine #31-60, but, looking on eBay I found the table of contents (see above) of #31 and lo and behold, it's precisely in #31 that things changed and, finally, Oesterheld got credited.

Wednesday, July 10, 2024

The Usual Intelectual Dishonesty


Sgt. Kirk #4, October 1967

What you are seeing above is the table of contents of Sgt. Kirk magazine #4. On it, "Sgt. Kirk" is by Hugo Pratt, "Randall" is by Arturo del Castillo and "Ernie Pike" is by Hugo Pratt also. Héctor Germán Oesterheld's name is nowhere to be seen as you can also confirm below.


Sgt. Kirk #4, October 1967


Hora Cero #3, July 1957

We all know this, there's no need to beat the dead horse. What is new to me is that almost sixty years later there are Italians like Claudio de Nisco here whitewashing the situation on behalf of the sacred cow. Here's what he wrote all over the Sgt. Kirk issues at the GCD: "Héctor Germán Oesterheld (credited as Hector. G. Oesterheld)." I corrected the situation until issue #30, but, since that's as far as I can go and not wanting to be like him, consider yourselves warned, dear readers!

PS A last comment: in this very issue Carlo della Corte "presents" Ernie Pike. Not once is Héctor Germán Oesterheld mentioned, obviously. With infinite cynicism he even says that the face of Ernie Pike is the face of a friend of Hugo Pratt. A friend, who, according to him, got involuntarily involved in Pratt's saga!

Wednesday, June 26, 2024

Forgotten Again, In The USA, This Time

Answering to this blog post I wrote the following: "When you laud Hugo Pratt’s characterization you are really lauding his master, Héctor Germán Oesterheld." My comment is awaiting moderation, or so it seems... My guess is that I can wait ad Calendas Grecas.

Monday, June 3, 2024

Forgotten Yet Again?

People are excited about the new set of comics related exhibitions at the Beaubourg in Paris. I haven't been there, so I can't say anything about it, but there's a blatant flaw I want to address. To quote the site of the Centre Pompidou:

Corto Maltese une vie romanesque [...] Une exposition qui met en évidence les sources littéraires d’Hugo Pratt : Hermann Melville, Joseph Conrad, Jack London…

I don't know if I need to translate the phrase or not, but, since I'm writing in English: "Corto Maltese an adventurous life [...] An exhibition that underlines the literary sources of Hugo Pratt: Hermann Melville, Joseph Conrad, Jack London…" 

Hugo Pratt, himself, also cited Zane Grey, but he's too lowbrow, I guess...

But I digress... This is all fine and dandy to continue the myth of the great man. The great European artist who brought true literature to the lowly comic...

Being serious: the real literary source of Hugo Pratt was Héctor Germán Oesterheld and not only these French, I guess, curators forgot him, they forgot all the rich Argentinian comics tradition. The Venice Biennale invited a Brazilian curator this year. Maybe the comics habitus needs a similar revolution.  Unfortunately comics are always apart from what's going on in the rest of the world...