Tuesday, January 19, 2016

This Art Form Deserves To Die - Coda


Carlos Alberto Santos, Mundo de Aventuras (first series) # 1128: "Drama em Orchre [sic] Flat," May 6, 1971 (the issue reprints "Marshall of Ochre Flat," [London] Evening News, December 19, 1968 - April 18, 1969).

Nikai Andrews asked me: "How did you come across Matt Marriott anyway?"

Here's my answer:

A lot of the Matt Marriott story arcs were published in Portugal in a mag titled Mundo de Aventuras [a world of adventures]. The production values were as poor as poor can get: with pulp paper, layouts completely changed, drawings chopped up or expanded by some hack, ugly mech types, balloons all over the art, etc... Since I think that the series improved dramatically during the 1970s and production values in Mundo e Aventuras improved a lot, I was old enough to be impressed by such 1970s tales as "Mary A Pregadora" ("Gospel Mary") or "Uma Nota de Dez Dólares" ("A Ten Dollar Bill").

As you can see below the production values of the ADCCC (All Devon Comics Collectors Club) aren't stellar exactly (I would say that they are uneven, being the example at hand one of the worst).  


James Edgar (w), Tony Weare (a), Daily Strips # 144 published by the ADCCC (this issue reprints "Zincville Colorado," [London] Evening News, June 22, 1970 - October 10, 1970).

Even so, look at the strips above as a page in Mundo de Aventuras below. I don't even know where to start; I'll just say that the whole shebang is there and I don't need to repeat it.   


James Edgar (w) [translator ?], Tony Weare (a) [with some hack], Mundo de Aventuras (first   series) # 1201: "A História de Vinc Bill," [sic] September 28, 1972. 


Those who read The Crib regularly know that I don't have a lot of respect for comics publishers and comics editors (small wonder, with examples like these), but it goes without saying that there are some exceptions like the great Héctor Germán Oesterheld (let's not forget that he was also a publisher; that's, of course, the only explanation to the question: how is it even possible that such stories were published back in the 1950s?). Chris Oliveros is another one, and let's not forget those guys at L'Association and Sins Entido and Frémok and Christian Humbert-Droz and Gary Groth and Kim Thompson (I miss you Kim!) and... and... I would not put those responsible for the second series of Mundo de Aventuras in the same league (far from it), but the fact is that they were responsible, during the 1970s, for three Matt Marriott comic books that respected the original material denying Mundo de Aventuras' terrible past (see below). 


Tony Weare, Mundo de Aventuras (second series) # 23: "Uma Nota de Dez Dólares," March 7, 1974 (the issue reprints "A Ten Dollar Bill," [London] Evening News, May 9, 1972 - September 7, 1972). There's a Portuguese fanzine (or prozine) reprinting all the Matt Marriott strory arcs, but about that, the less said, the better.

When I was in my teens I loved Matt Marriott (strangely enough I loved Tony Weare's style - I also loved the work of Eric Parker, by the way), but I couldn't realize what to me today seems painfully obvious: as good as Eric Parker's drawings are Buck Jones isn't Matt Marriott. It's the difference between a childish, manichean, racist, comic book and an adult, complex comic strip. It's as simple as that.

7 comments:

nikay andrews said...

IS there any books of Matt Marriot available, or are the only strips one can find are the miscellaneous ones scanned on the internet?

Isabelinho said...

In English there's the ADCCC booklets and I think that the Menomonee Falls Gazette also published something, but I don't know what or how much.

Camillo Conti is an Italian publisher who deserves to be mentioned. He reprinted 18 stories with great reproduction values (the production values aren't that great, though).

Matt Marriott was published in Norway and Spain (possibly in other countries too, Argentina, for instance), but I don't know much about that...

One of my favorite stories was published in French in a mag titled Retro BD (# 12).

Isabelinho said...

http://bdoubliees.com/retrobd/series/mattmarriott.htm

Catherine Labey said...

Desculpe a correcção (em português, amigo Isabelinho, porque o meu inglês lamentavelmente está um pouco “enferrujado”), mas José de Matos-Cruz não foi o editor do "Mundo de Aventuras" na sua nova série, iniciada em finais de 1973, mas sim eu próprio, a partir do nº 33, aparecendo já o meu nome como coordenador na ficha técnica do nº 101 (se não me falha a memória).
Fui também o tradutor de vários episódios de Matt Marriott (antes ainda de ser responsável pela revista), como o citado "A Ten Dollar Bill", "When the Bear Runs", "The Territory" e outros mais. O director, nessa fase do MA, era o Vitoriano Rosa, mais tarde substituído pelo António Verde.
Lamento não ter publicado mais episódios de Matt Marriott nessa (erroneamente chamada) V série, por razões que seria fastidioso explicar aqui e agora. Mas uma delas deveu-se à mudança de formato, após o nº 53, embora alguns episódios tenham aparecido posteriormente, sem desmontagem das tiras, como na série anterior, mas num tamanho bastante reduzido, que empobrecia a qualidade das imagens e dificultava a leitura dos textos. "Gospel Mary" foi publicado no MA Especial, revista mensal que eu criei em 1975 e cujos três primeiros números eram ainda em formato de "comic book", idêntico ao do MA semanal.
José de Matos-Cruz, que foi colaborador da revista, escreveu, de facto, alguns artigos sobre Matt Marriott, na altura de bastante interesse, pois desconhecia-se quase tudo sobre a série, mas nunca traduziu nenhum episódio, que eu me lembre. Seja como for, era também um grande apreciador de Matt Marriott, como eu, e um excelente crítico de BD.

Um abraço e boas continuações para o seu excelente blogue.
Jorge Magalhães

Isabelinho said...

Caro Jorge Magalhães:

As minhas desculpas! A si e ao senhor Vitoriano Rosa, quem, verifiquei agora, tarde de mais (mas vou corrigir), era o "editor" (no sentido inglês, claro) quando as três histórias de Matt Marriott foram publicadas na fase de formato maior da tal "quinta série". O objectivo destes meus dois posts foi dar uma rabecada (a que ninguém vai ligar nenhuma, claro) na Titan Books. Quando David lloyd lhes propôs a publicação da série disseram que não era comercial. Pode ser que sim, pode ser que não, mas eles nem tentaram...

Enfim, voltando ao que mais interessa, e desculpe-me se me armo em historiador amador, a quinta série (que na verdade era a segunda, suponho) foi um corte radical (se não em termos de conteúdos, pelo menos em termos de formato, design e respeito pelo material publicado, adição de textos críticos), com o passado da revista. Quem foi o responsável na Agência por este "lavar de cara"? Vitoriano Rosa?

Quanto a José de Matos-Cruz, acho que escreveu o texto definitivo sobre Matt Marriott (e, se a memória não me engana, disse-o há muitos anos no Nemo). Refiro-me à introdução que escreveu no nº 20 da Antologia da BD Clássica.

Do Mundo de Aventuras mais pequeno, que se seguiu, guardo sobretudo essa pequena jóia que é Rosas Para a Irmã Eulália.

Um abraço e obrigado pelo seu comentário e pelas suas palavras amáveis!

Catherine Labey said...

Caro amigo Isabelinho,

Reposta a verdade dos factos, ou seja, que o editor/director do MA em 1973 e boa parte de 1974 foi o Vitoriano Rosa (a quem devo a minha entrada para a revista como colaborador e mais tarde, a convite do António Dias, administrador-geral da APR, como coordenador), lamento saber que a Titan Books recusou a publicação de uma série com a qualidade de Matt Marriott, invocando motivos tão fúteis... e tão infundados. Condenar os clássicos (e outras criações verdadeiramente memoráveis, mesmo que não figurem nessa categoria) ao ostracismo por não serem (supostamente) comerciais, só revela a estreiteza de vistas de quem está à frente das editoras.

O gosto por Matt Marriott (como por outras séries consagradas por superiores avaliações críticas) tem de ser cultivado junto do público, passo a passo, mesmo que isso implique alguns custos financeiros. Com boa apresentação, boa publicidade, boa distribuição e bons textos críticos, o êxito virá por acréscimo. A verdade é que a série foi reeditada em Itália, com sucesso, por Camilo Conti, ainda que parcialmente.

Quanto à 5ª série do MA (aliás, 2ª, como eu tive oportunidade de rectificar, a dada altura), foi de facto concebida pelo Vitoriano Rosa, num período em que a APR ganhou novo fôlego, com outra gerência, após a saída de Mário de Aguiar. O único erro foi terem voltado ao nº 1, chamando-lhe 5ª série... o que pressupunha já ter havido quatro séries e quatro nºs 1, o que nunca aconteceu na história do MA.

Vitoriano Rosa (já falecido) era sócio da empresa, gerindo a secção de publicidade. Praticamente todas as revistas, nessa época, lhe passavam pelas mãos, incluindo a “Plateia” e a “Crónica Feminina”. Andava tão atarefado que as publicações se ressentiam disso, sobretudo o MA, cuja programação, ao princípio, incidia apenas em meia dúzia de séries, com destaque para o Fantasma, que chegou a aparecer em números sucessivos da revista. A variedade era pouca e as vendas não melhoravam, porque o formato grande teve dificuldade em impor-se junto dos leitores mais "conservadores". Mas Vitoriano Rosa merece elogios por ter publicado algumas boas séries, como Paul Temple e Matt Marriott, por exemplo, embora não figurassem, de facto, entre as mais populares.

Eu procurei dar uma grande reviravolta ao MA, quando este mudou novamente de formato, estreando algumas séries franco-belgas de qualidade, como Buck Danny e Jerry Spring, além de ter começado a publicar heróis oriundos dos “comic-books”, mais do gosto da juventude (como agora), e uma notável versão de Tarzan ilustrada por Joe Kubert. Nessa época, não podia ter acesso ao material do “Tintin” belga, por razões contratuais (pois a Bertrand detinha o seu exclusivo), mas o do “Spirou” estava quase todo à minha disposição.

Voltando ao Matt Marriott, também gosto particularmente do episódio “Rosas para a Irmã Eulália”, onde o nosso cowboy perde a cabeça por uma freira... e ela por ele! Recomendo-lhe, se estiver interessado, uma reedição feita há pouco tempo pelo José Pires, no seu fanzine “Fandwestern”. Embora com uma tiragem muito limitada, talvez ainda seja possível encontrar esse número na loja do José Vilela.

Um abraço e boas continuações para o seu trabalho.

Jorge Magalhães

Isabelinho said...

Caro Jorge Magalhães:

Muito obrigado pelo seu comentário! Tive ocasião de dizer uma vez que a banda desenhada é uma arte sem memória e são apenas testemunhos inestimáveis como o seu que podem alterar esse estado de coisas.

Obrigado também pela sugestão final, mas, infelizmente (e o Jorge Magalhães já sabe o que penso sobre o assunto), o Fandwestern não respeita o material original.

Um grande abraço e, mais uma vez, obrigado!