Saturday, April 16, 2011

Manuel Caldas: Um Editor Independente - Coda

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Imagens:

1. Segunda edição de Foster e Val por Manuel Caldas (1993). Enquanto a fantasia é monocromática (aqui a azul, na primeira edição a preto) o desenho em que Hal Foster caricaturiza as suas preocupações quotidianas (a falta de ideias e o deadline que se aproxima, a vaidade da mulher e a necessidade de a alimentar, as exigências da sua personagem) é pouco colorido, é certo, mas é colorido...

2. No Atelier de Aurélia de Sousa (s/d). Cena de género tardo-romântica em que a pintora se retrata desalentada num ambiente soturno e quase monocromático. O que é colorido é a fantasia colorida da arte. De notar que a pintora, uma das maiores figuras do naturalismo português, criou um jogo complexo entre a feia realidade que o quadro mostra e a fantasia balofa que o quadro dentro do quadro nos dá. Pode ler-se tanto uma crítica ao impressionismo (desde um ponto de vista realista, ou seja, desde um ponto de vista político) como uma desistência decadentista.

3. Terceira edição (muito alterada) de Foster e Val com o subtítulo: "Os Trabalhos e os Dias do Criador de 'Prince Valiant'" (Dezembro de 2006). A inversão cromática das duas primeiras edições é aqui corrigida. A prancha de "Prince Valiant" (a número 117, de 7 de Maio de 1939, em vez da número 19, de 19 de Junho de 1937) apresenta-se ligeiramente torcida no seu eixo. Questão de dinamismo da composição, sem dúvida, mas também sinal, talvez, de que a série mudou a vida do autor do livro. A troca de pranchas também não é inocente: a 19 representa o maravilhamento do jovem Val ao chegar a Camelot, a 117 representa um Val mais adulto atormentado com a ideia do envelhecimento.

1 comment:

Oneiros said...

Por acaso..
Adorei mesmo o "Foster e Val"..
Um must have obrigatório.